De acordo com escritos freudianos, as imagens escapam com mais facilidade do
superego do que as palavras, alojando-se no inconsciente e por este motivo o
indivíduo expressa-se melhor de forma não verbal. A necessidade da
comunicação simbólica origina-se deste pressuposto, como forma de
auto-conhecimento no tratamento terapêutico.
No volume XI de Obras Completas de Freud, o mesmo relata que
freqüentemente experimentamos os sonhos em imagens visuais, sentimentos e
pensamentos; sendo mais comum na primeira forma. E parte da dificuldade de se
estimar e explicar sonhos, deve-se à dificuldade de traduzir essas imagens em
palavras. Muitas vezes, quando as pessoas sonham, dizem que poderiam mais
facilmente desenhá-los que escrevê-los.
O recurso da arte aplicado à psicopatologia originou-se
quando Jung passou a trabalhar com o fazer artístico, em forma de atividade
criativa e integradora da personalidade. ”Arte é a expressão mais pura que
há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de
expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida.” ( Jung, 1920 )
1 Conceitos.
Variados autores definiram Arteterapia, todos com conceitos
semelhantes ao que diz respeito à auto-expressão.
É a arte ilimitada unida ao processo terapêutico, que
transforma a Arteterapia em uma técnica especial.
A Arteterapia resgata o potencial criativo do homem, buscando
o psique saudável e estimulando a autonomia e transformação interna, para
reestruturação do ser.
Partindo do princípio, de que muitas vezes não consegue-se
falar de conflitos pessoais, a Arteterapia possui recursos artísticos para que
sejam projetados e analisados, todos esses processos, obtendo uma melhor
compreensão de si mesmo, e podendo ser trabalhado no intuito de uma
libertação emocional.
É através da expressão artística que o homem consegue
colocar seu verdadeiro self da maneira mais pura e direta que possa existir.
2 Objetivos
Uma obra de arte, consegue por si só, transmitir sentimentos
como alegria, desespero, angústia e felicidade, de maneira única e pessoal,
relacionadas ao estado espiritual que encontra-se o autor no momento da
confecção.
A Arteterapia tem como objetivo, favorecer o processo
terapêutico, de forma que o indivíduo entre em contato com conteúdos internos
e muitas vezes inconscientes, que foram barrados por algum motivo expressando
assim sentimentos e atitudes, até então desconhecidos.
A utilização de recursos artísticos (pincéis, cores,
papéis, argila, cola, figuras, desenhos, recortes, ...) tem como finalidade, a
mais pura expressão do verdadeiro self, não se preocupando com a estética, e
sim com o conteúdo pessoal implícito em cada criação e explícito como
resultado final.
As técnicas de utilização dos materiais, acima citados,
são para simples manuseio dos mesmos, e não para profissionalização ou
comercialização.
A busca da terapia da arte, é uma maneira simples e criativa
para resolução de conflitos internos, é a possibilidade da catarse emocional
de forma direta e não intencional.
As linguagens plásticas, poéticas e musicais dentre outras,
podem ser mais adequadas à expressão e elaboração do que é apenas
vislumbrado, ou seja complexidade implica na apreensão simultânea de vários
aspectos da realidade. Esta é a qualidade do que ocorre na intimidade
psíquica; um mundo de constantes percepções e sensações, pensamentos,
fantasias, sonhos e visões, sem a ordenação moral da comunicação verbal do
cotidiano.
Propõe-se então, a estruturação da ordenação lógica e
temporal da linguagem verbal, de indivíduos que preferem ou de outros que só
conseguem expressões simbólicas.
De acordo com o pensamento junguiano, deve-se observar os
sonhos, pois são criações inconscientes que o consciente muitas vezes
consegue captar, e que junto ao terapeuta, pode-se buscar sua significação.
Para Jung, a arte tem finalidade criativa, e a energia
psíquica, consegue transformar-se em imagens e através dos símbolos, colocar
seus conteúdos mais internos e profundos.
Valor Terapêutico dos Materiais