Como podemos observar no caso descrito por Kanner a
seguir:
"Charles foi trazido a clínica com a idade de quatro anos
e meio, sua mãe apresentava a seguinte queixa: "o que mais me entristece é
que não consigo me aproximar de meu filho". Quando bebê, esta criança ficava
deitada no berço olhando em algum ponto fixamente. Quando ele tinha um ano e
meio, começou a se manter por longos períodos rodopiando brinquedos e tampas
de garrafas e potes. Sua mãe chamava a atenção para o seguinte fato: "ele
não prestava atenção em mim e parecia não se dar conta se eu estava ou não
no quarto...". O mais impressionante era sua indiferença e inacessibilidade.
Ele caminha como se fosse uma sombra, vive num mundo aonde não pode ser
alcançado. Não conhece as relações humanas. Ele entrou em um período de
repetir o que ouve, mas nunca fala algo dirigido aos outros. Ele fala sobre
si mesmo na segunda pessoa e agora utiliza a terceira pessoa, ele diz: "ele
quer" nunca "eu quero"... Ele tem ótima memória para palavras. Seu
vocabulário é bom exceto para pronomes. Ele nunca inicia uma conversa, e
esta sempre é limitada, vai até aonde os objetos vão".
Mais recentemente Lorna Wing descreve o que conhecemos
como "Tríade de Wing": as pessoas com autismo apresentam déficits
específicos nas áreas de imaginação, socialização e comunicação. Bem como
pesquisas que evidenciam uma causa biológica para este transtorno.
Se hoje temos o conhecimento de que existem níveis de
autismo, bem como níveis de retardo mental associado, podendo este nem estar
presente, seria natural pensarmos em um continuum ou espectro mais amplo de
tal desordem. Se tal conceito é aplicado na prática, a ocorrência deste
quadro sobe de 4 casos a cada 10.000 nascimentos para 20, conforme
estatísticas da escola inglesa.
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