Classificação:
1.Espástica: Lesão no
sistema piramidal caracterizada por um aumento de tônus, hiperreflexia.
2.Atetóide: A lesão se dá nos gânglios da base, responsável por movimentos
finos e delicados.
3.Ataxia: A lesão se dá no cerebelo responsável pela coordenação do
movimento e equilíbrio.
4.Mista: Representa a combinação de duas formas.
As palavras
Paralisias e Cerebrais são usadas para descrever uma condição de ser, um
estado de saúde, uma dEficiência física adquirida, um Distúrbio de
Eficiência Física que durante muito tempo foi significado de "invalidez".
Atualmente, o termo
Paralisias Cerebrais (P.C.) vem sendo usado como o significado do resultado
de um dano cerebral , que leva à inabilidade, dificuldade ou o descontrole
de músculos e de certos movimentos do corpo. O termo Cerebral quer dizer que
área atingida é o cérebro (sistema Nervoso Central - S.N.C) e a palavra
Paralisia refere-se ao resultado do dano ao S.N.C., com conseqüências
afetando os músculos e sua coordenação motora, dos portadores desta condição
especial de ser e estar no mundo.
Paralisias
cerebrais NÃO SÃO DOENÇAS, mas uma condição médica especial, que
freqüentemente ocorre em crianças), antes, durante ou logo após o parto, e
quase sempre é o resultado da falta de oxigenação ao cérebro. As crianças
afetadas por Paralisias Cerebrais têm uma perturbação do controle de suas
posturas e dos movimentos do corpo, como conseqüência de uma lesão cerebral.
Estas lesões
possuem diversas causas, freqüentemente devido à falta de oxigenação antes,
durante ou logo após o parto, não existindo dois casos semelhantes, pois
algumas crianças têm perturbações sutis, quase imperceptíveis, aparentando
serem "desajeitadas" ao caminhar, falar ou usar as mãos, enquanto que as
submetidas a lesões cerebrais mais graves, a exemplo de casos de anóxia
neonatal, podem apresentar incapacidade motora acentuada, impossibilidade de
falar, andar e se tornam dependentes para as atividades cotidianas.
Dependendo da
localização das lesões e áreas do cérebro que foram afetadas, as
manifestações podem ser diferentes. Nas paralisias cerebrais há uma confusão
de mensagens entre o cérebro e os músculos.
Há três formas
(tipos) mais comuns, dependendo de que mensagens foram afetadas. E pode-se
classificar um quarto tipo de P.C. que teria uma combinação de 2 ou mais
formas.
A córtex controla
os pensamentos, os movimentos e as sensações. Uma anormalidade nela pode
resultar na Paralisia Cerebral do tipo
Espástica. Caracterizado
por aumento e paralisia de tonicidade dos músculos.
Pode haver um lado
do corpo afetado (hemiparesia), os membros inferiores (diplegia), ou os 4
membros (quadriplegia).
Os Gânglios da Base
ajudam a organizar os movimentos finos e delicados. Uma anormalidade deles
pode resultar na Paralisia tipo
Atetóide. Caracterizada
por distonia (variações da tonicidade muscular) e movimentos involuntários
afetando o Sistema ExtraPiramidal.
O cerebelo controla
e coordena os movimentos, as posturas e nosso equilíbrio. Uma anormalidade
nele pode resultar na P.C. tipo
Atáxica.
Caracterizada por
diminuição da tonicidade muscular, dificuldade para se equilibrar com
descoordenação dos movimentos, podendo haver movimentos trêmulos das mãos e
fala comprometida.
Crianças
paralisadas cerebrais não conseguem controlar alguns ou todos os seus
movimentos. Apenas algumas crianças são afetadas em todos. Algumas terão
dificuldade em falar, andar ou usar as mãos. Umas serão capazes de sentar
sem suporte ou ajuda, enquanto outras necessitarão de ajuda para a maioria
das tarefas de vida diária. Por isso, dizemos que são portadoras de
Distúrbios de Eficiência Física, e não apenas deficientes ou
paralíticas.
Não há medicamentos
nem operações que possam curar uma paralisia cerebral, havendo, porém,
diversas e inovadoras possibilidades de melhorar e minimizar seus efeitos.
Estes progressos não são súbitos, mas demorados, avançando progressivamente
e na dependência direta dos recursos tecnológicos, como o uso da Informática
na EDUCAÇÃO e dos recursos terapêuticos colocados à disposição da
comunidade.
As crianças com PC
têm muitos problemas, mas nem todos são relacionados com com as lesões
cerebrais. Citaremos apenas as que mais freqüentemente se manifestam:
Epilepsia: é comum
ocorrerem convulsões ou crises epilépticas, de maior ou menor intensidade e
dentro das mais variadas formas desta manifestação neurológica, sendo mais
comuns no período pré-escolar, estando associadas ao prognóstico e à
evolução de outros problemas que atingem um paralisado cerebral.
Deficiência Mental:
com uma ocorrência de aproximadamente 50% dos casos, tem levado a distorções
e preconceitos acerca dos potenciais destes portadores de deficiência,
devendo-se diferenciar os diversos graus de comprometimento mental de cada
criança, baseando-se em acompanhamento especializado e evolutivo das mesmas.
Deficiências
Visuais: ocorrem casos de baixa-visão, estrabismos e erros de refração, que
podem ser precocemente diagnosticados e tratados, com bom prognóstico
oftalmológico, devendo-se intensificar sua diagnose com os novos avanços em
tecnologia e a correção preventiva de danos com uso de lentes [óculos] ainda
nos primeiros anos de vida.
Dificuldades de
Aprendizagem: as crianças com P.C. podem apresentar algum tipo de problema
de aprendizagem, o que não significa que elas não possam ou não consigam
aprender, necessitando apenas de recursos aprimorados de Educação Especial,
integração social em Escolas Regulares, uso de Recursos Tecnológicos, a
exemplo do uso de Computadores e outros aparelhos informatizados para o
estímulo e a busca de meios de comunicação e aprendizagem inovadores para
PC.
Dificuldades de
Fala e Alimentação: devido à lesão cerebral ocorrida, muitas crianças com
P.C. apresentam problemas de comunicação verbal e dificuldades para se
alimentar, devido ao tônus flutuante dos músculos da face, o que prejudica a
pronúncia das palavras com movimentos corretos, podendo-se recorrer a
tratamentos especializados e orientação fonoaudiológica, a fim de minimizar
e até resolver alguns destes distúrbios. E para as crianças que não falam,
já contamos com os comunicadores alternativos e as linguagens através de
símbolos, como o método Bliss, que associados aos recursos informatizados
podem auxiliar, a exemplo dos sintetizadores de fala, a expressão dos
pensamentos e afetos de um paralisado cerebral.
Outros problemas:
dificuldades auditivas, disartria, déficits sensoriais, escoliose,
contraturas musculares, problemas odontológicos, salivação incontrolável,
etc...: Todos estes problemas podem surgir associados ou isoladamente na
dependência direta do tipo de PC que a criança apresentar, já que seus
déficits motores afetam sua psicomotricidade e seu comportamento emocional e
social, que podem resultar num desenvolvimento global atrasado, que muitas
vezes ainda é confundido com capacidade cognitiva pobre, gerando uma imagem
preconceituosa sobre as capacidades e potencialidades para vida independente
e autônoma de portadores de Paralisias Cerebrais.
Dra. Katerine Dias Vieira Nobre