Em 1866, John Langdon Down notou que havia
nítidas semelhanças fisionômicas entre certas crianças com atraso mental.
Com a identificação da anomalia cromossómica que é a causadora deste
síndrome, começou-se gradualmente a usar a terminologia trissomia 21 ou
Síndrome de Down, deixando de suscetibilizar e estigmatizar os seus
portadores.
O síndroma de Down é a causa mais comum de
atrasos de desenvolvimento psicomotor (cerca de 1/3 dos casos). Aparece em
todas as raças com uma incidência de cerca de 1 para 800 nascimentos. O
aumento da incidência com a idade da mãe é bem conhecido. No entanto, a
maioria das crianças são filhas de mães com menos de 30 anos. A explicação
reside no fato de haver muito mais gravidezes neste grupo etário do que no
grupo com mais idade, e de se oferecer, de um modo geral, o diagnóstico
pré-natal às grávidas com mais de 35 anos.
A prevalência deste síndroma tende a
aumentar devido ao aumento da expectativa de vida.
Há 3 tipos principais de anomalias
cromossómica ou variantes, no síndroma de Down.
a) A maioria (93-95%) tem trissomia 21
livre.
b) A translocação aparece em 4-6% dos casos. A maioria tem os braços
compridos do cromossoma supranumerário ligados aos cromossomas 14, 21 ou 22.
Os pais destas crianças devem fazer um cariotipo pois 1/3 deles podem ser
portadores.
c) Cerca de 1-3% das crianças com síndroma de Down têm mosaico (nem todas as
células estão atingidas).
1- O que é Síndrome de Down?
Síndrome de Down é um erro
genético que se caracteriza principalmente por uma alteração cerebral que
leva a um comprometimento intelectual e a problemas motores.
2- Como se manifesta à
deficiência mental na pessoa com Síndrome de Down?
Basicamente por uma dificuldade
no ritmo do aprendizado, tanto das atividades da vida diária, quanto da
escolaridade. A pessoa com Síndrome de Down não aprende com a mesma rapidez
das outras.
3- Como se identifica
fisicamente uma pessoa com Síndrome de Down?
Sempre tem olhos puxados,
língua parecendo ser demasiadamente grande para a boca. As orelhas são
pequenas e às vezes têm uma parte um pouco dobrada. O nariz é também
achatado e largo. Algumas vezes têm uma prega única na palma da mão e o dedo
do pé mais afastado dos demais. O recém-nascido tem uma hipotonia (flacidez
muscular). Freqüentemente têm baixa estatura na primeira infância. Existe
vários outros sinais físicos, mas que variam de pessoa para pessoa.
4- Por que se chamavam as
pessoas com Síndrome de Down de Mongóis, Mongolóides ou Mongólicas?
Porque o rosto de pessoas com
Síndrome de Down lembra o da raça mongólica.
5- E por que o nome Síndrome de
Down?
Síndrome significa conjunto de
sinais e sintomas que caracterizam uma condição e Down é o sobrenome do
cientista que descreveu essa Síndrome com estas características.
6- Qual a causa da Síndrome de
Down?
A Síndrome de Down é causada
por uma anomalia genética que pode ocorrer no óvulo, no espermatozóide ou
após a união dos dois (ovo). Na Síndrome de Down há um cromossomo a mais.
Por isso ela é também conhecida como trissomia 21, já que este cromossomo
extra é de número 21.
7- Há contágio na Síndrome de
Down?
Não há qualquer contágio, pois
não é causado por micróbio, mas por alteração genética.
8- Quais os principais
problemas de saúde de uma pessoa com Síndrome de Down?
Algumas pessoas com Síndrome de
Down nascem com problemas cardíacos. Freqüentemente, esses problemas podem
ser resolvidos por meio de cirurgia. A pessoa com Síndrome de Down
resfria-se com mais facilidade e é suscetível a bronquites e pneumonia.
Alguns têm desenvolvimento anormal do intestino e outros possuem problemas
dermatológicos.
9- Qualquer casal pode ter um
filho com Síndrome de Down?
Qualquer casal poderá ter uma
criança com Síndrome de Down, mas há maiores chances quando a mãe tem mais
de 35 anos.
10- Os pais que já tem filhos
com Síndrome de Down poderão ter outros filhos com a mesma Síndrome?
Sim, mas os pais devem fazer
aconselhamento genético com especialista, quando já têm um filho com
Síndrome de Down e pretendem ter mais filhos.
11- Existem graus diferentes na
Síndrome de Down?
Não há classificação de graus
para a Síndrome de Down, porém, o comprometimento intelectual presente é
muito variável. Nota-se que encontram-se pessoas com sinais clínicos e
desenvolvimento motor e mental diferentes, como diversas são todas as
pessoas.
12- Existe exame que possa
informar, ainda durante a gravidez, se o feto tem a Síndrome de Down?
Sim, todo o casal, no qual a
mãe tenha mais de 35 anos, deve consultar o geneticista logo que tome
conhecimento da gravidez, pois no princípio já realizam-se exames que
indicam se o feto tem ou não Síndrome de Down.
13- Existe cura para a Síndrome
de Down?
A deficiência mental acarretada
pela Síndrome de Down não tem cura, pois trata-se de uma alteração genética
inalterável por qualquer droga, remédio ou técnica. Pesquisas têm sido
desenvolvidas nesse sentido, mas nenhum resultado foi encontrado. É preciso
que as famílias estejam sempre alerta para que não sejam ludibriadas por
charlatões que acenem possibilidade de cura da Síndrome de Down.
14- Então, com que objetivo se
trata à pessoa com Síndrome de Down?
Ao nascer, uma criança com
Síndrome de Down, além do acompanhamento pediátrico normal, é necessário que
se lhe ofereça orientação de geneticista e de outros eventuais
especialistas. Além disso, a criança deve ser submetida a um tratamento
através de estímulos ( terapia ocupacional ) entre outros que minimizarão os
efeitos das alterações neuro-motoras e fonoarticulatórias. Este tratamento
deve iniciar-se tão logo seja diagnosticada a Síndrome e precisa ser
desenvolvido por equipe integrada de fisioterapeuta, terapeuta ocupacional,
fonoaudiólogo e psicólogo, que irão estimular a criança para que tenha um
melhor desenvolvimento motor e intelectual. É importante não se perder de
vista a família e as dificuldades que enfrenta desde o nascimento de seu
filho com Síndrome de Down. Sabe-se que as crianças que estão desde o
nascimento se submetendo a esses tratamentos têm melhoras em seu desempenho,
mas ainda não se conhece sua efetiva contribuição na vida adulta. Então, o
objetivo do tratamento que atualmente se faz é colaborar para acelerar e
melhorar as condições motoras e intelectuais do portador da Síndrome de Down.
15- A pessoa com Síndrome de
Down pode freqüentar uma escola comum?
Sim, a pessoa com síndrome de
Down, como qualquer outro aluno tem o direito de ser escolarizado, da
infância à idade adulta, entre os seus pares, da mesma idade e no ambiente
regular do ensino, pois este é o ideal para a estimulação do seu
desenvolvimento. Os serviços de acompanhamento especializado nas demais
áreas do desenvolvimento devem complementar a educação escolar dessas
pessoas.
16- E o que poderá oferecer
para o adulto com Síndrome de Down?
A oportunidade de
encaminhamento ao mercado de trabalho, possibilitando-lhe a conquista de sua
autonomia e a construção da própria cidadania.
17- A pessoa com Síndrome de
Down e o mercado de trabalho.
A inserção da pessoa portadora
de Síndrome de Down no mercado de trabalho é a principal forma de efetivar a
construção de sua cidadania.Não se deve limitar, a priori, campos de
atividades nos quais essas pessoas poderão ser profissionalmente
habilitadas. O bom desempenho, já comprovado em microfilmagem (RN), artes
gráficas (MG e RN), auxiliares de classe (SP), atores (RJ), prestadores de
serviço em fast-food e boutiques (SP e RJ), são exemplos de engajamento
profissional quando as oportunidades lhes são oferecidas. Cuidando desde
cedo da estimulação e da educação, os limites dessas pessoas poderão ser
ampliados e reforçadas as suas potencialidades.
"A maior limitação para que
os portadores de Síndrome de Down se tornem adultos integrados, produtivos,
felizes e independentes não é imposta pela genética, mas sim pela
sociedade". (Cláudia Werneck)